citações

Carta a D., de André Gorz.

“É isto: a paixão amorosa é um modo de entrar em ressonância com o outro, corpo e alma, e somente com ele ou ela. Estamos aquém e além da filosofia.” (pág. 20)

“… admirávamos as acrobacias aéreas das andorinhas no pátio do nosso prédio, e você disse: “Quanta liberdade por tão pouca responsabilidade!.” (pág. 23)

“No final das contas, elas eram uma espécie de jogo, mas nesse jogo você sempre ganhava. Você não precisava das ciências cognitivas para saber que, sem intuições e afetos, não há inteligência, nem sentido.” (pág. 31)

“Estar completamente apaixonado pela primeira vez, ser amado de volta, era aparentemente banal demais, e privado demais, comum demais: não era uma matéria apropriada para me fazer atingir o universal. Um amor naufragado, impossível, isso sim, ao contrário, rende a nobre literatura. Fico à vontade na estética do fracasso e da aniquilação, não na do êxito e da afirmação. Preciso me erguer acima de mim e de você, à nossa custa, à sua custa, por meio de considerações que ultrapassam nossas pessoas singulares.” (pág. 37)

“Uma anotação de Kafka, em seu diário, pode resumir meu estado de espírito na época: “Meu amor por você não ama a si mesmo”. Eu não me amava por amar você.” (pág. 41)

“Nós tínhamos um mundo em comum, do qual percebíamos aspectos diferentes. Essas diferenças eram nossa riqueza.” (pág. 41)

“Não quero mais – segundo a fórmula de Georges Bataille – ‘deixar a existência para mais tarde’. Estou atento à sua presença como estive desde o início, e gostaria de fazê-la sentir isso. Você me deu toda a sua vida e tudo de si; e eu gostaria de poder lhe dar tudo de mim durante o tempo que resta.

Você acabou de fazer 82 anos. Continua bela, graciosa e desejável. Faz 58 anos que vivemos juntos, e eu amo você mais do que nunca. Recentemente, eu me apaixonei por você mais uma vez, e sinto em mim, de novo, um vazio devorador, que só o meu corpo estreitado contra o meu pode preencher.” (pág. 52)

Carta à D., André Gorz. Cosac Naif, 2014.

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2 comentários em “Carta a D., de André Gorz.

  1. Faz séculos que estou com Carta a D. na estante e nada. Mas tem um motivo: acho que vou chorar tanto ao ponto de ficar em posição fetal. Qual foi sua sensação com este livro, Mariana? Bjs!

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