Impressões literárias · Literatura Brasileira

Dois irmãos, de Milton Hatoum

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Amazonense, Milton era uma daquelas pendências literárias que me martirizavam.

Dois irmãos é um Esaú e Jacó versão libanesa e contemporânea. O narrador é Nael, filho da empregada Domingas. Ele é olhos e ouvidos da casa, e depois de trinta anos, resolve rememorar a história trágica daquela família onde trabalhou desde menino.

 Yacub e Omar são gêmeos univitelinos. Desde cedo houve um tratamento diferenciado da mãe, Zana, com o mais velho, Omar. Os meninos são completamente diferentes em personalidade. Omar vem a ser um ser humano impiedoso, violento, não há compaixão em seu coração, e é destituído de caráter. Yacub é tímido, considerado mais belo que o irmão, possui uma preocupação com a família, e é muito inteligente.

Em um episódio da infância, os meninos se apaixonam pela mesma menina, Lívia. A menina dá um beijo na face de Yacub, ao ver o episódio, Omar se enche de cólera e rasga a face do irmão com um pedaço de vidro. O ódio entre os dois irmãos é tão grande, que Halim, pai dos meninos, manda Yacub para o Líbano afim que sare as feridas sentimentais e entre em contato com suas raízes.

Passam-se cinco anos, e a Yacub volta. Ele agora é um adolescente taciturno, que sabe poucas palavras em português. Os irmãos não se reconciliam, e o Yacub passar a ser sempre  alvo de zombarias do irmão. Contudo, mantendo-se focado nos estudos, consegue honras no colégio, em detrimento de Omar, que é expulso da instituição por mau comportamento.

Yacub decide ir para São Paulo para cursar uma faculdade, mas principalmente, para ficar longe da família. Sua mãe e sua irmã caçula, Rânia, idolatram Omar, e sempre passam a mão em suas vadiagens, o que exaspera Halim, que com o tempo irá nutrir uma aversão tremenda ao filho inconsequente.

Ao longo do romance, Nael irá nos relatar confissões das personagens que nortearam o compreendimento do leitor a cerca das relações familiares. Ele desconhece sua paternidade, e nessa atividade de ouvir os demais, anseia por um dia escutar quem daqueles três homens da casa – Halim, Omar e Yacub – é seu pai.

Yacub, em São Paulo, torna-se um grande engenheiro, à medida que sua família se deteriora mais e mais. Omar sempre metendo-se em confusões, sua mãe adulando-o, Halim exasperando-se com as atitudes da mulher e Rândia, modelo da modernidade, toma o lugar do pai na loja, deixando o velho homem sem sua profissão de vender quinquilharias.

O romance do Milton Hatoum é um conflito de identidades e egos. Em Manaus, nós temos a família de Halim e Zana, típicos libaneses que possuem uma empregada indígena, quase uma escrava, que é Domingas. Nael, miscigenação das duas etnias procura saber quem é seu pai, não para conseguir dinheiro, mas para encontrar seu lugar e entender sua identidade.

É um belíssimo romance. O estilo do escrito é muito bom, e por várias vezes senti raiva de Zena, sentia-me aflita por não entender bem o que o silêncio de Yacub representava e me apiedava de Halim, um homem que sofreu para conquistar a mulher que amava, que vivia de amores por ela, mas que era uma fraca na educação de Omar.

Leia!

 

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