Impressões literárias · TAG

Maratona Literária

Ao som de Bob Dylan relato-os o desfecho (trágico!?) dessa maratona. O objetivo era ler cinco livros dentro do prazo de 15 dias. Ah… a maratona foi criada pelo blog Carneirismo. O objetivo era ler, mas comigo, foi além, descobri que sofro de uma síndrome que relatarei mais adiante.

1. A volta ao mundo em 80 dias, Júlio Verne (Desafio Rory Gilmore e Conversando com Mrs. Dolloway)

Adorei a leitura. Nunca havia lido nada do Julio Verne e há tempos me cobrava isso. Tive que ler o livro em pouco tempo, não devido a maratona, mas por que já havia prometido que o daria ao meu namorado. Como eu iria vê-lo em alguns dias, tive que fazer a leitura velozmente.

Fogg é um senhor muito rico, altamente metódico que vive sozinho. Uma das suas únicas atividades sociais é ir a um clube onde se encontra com outros homens ricos. Há um certo mistério sobre Fogg, pois ninguém sabe a origem da sua riqueza e o que faz para continuar sendo rico. Furas-Vidas é um francês em busca de um emprego tranquilo e fica muito satisfeito ao ser contratado por Fogg e perceber o quanto o patrão é reservado. Ao saberem que o Banco da Inglaterra havia sido roubado, os amigos de Fogg do Clube discutem que o ladrão poderia nunca ser encontrado, já que a potencialidade dos meios de transportes poderia ter levado o ladrão a qualquer lugar do mundo, inclusive, já era possível dar a volta ao mundo em 80 dias usando as linhas férreas e navais. Porém, os homens analisam esse dado e chegam ao consenso de que seria impossível dar a volta ao mundo dentro desse prazo por conta das intempéries ao longo do caminho, atrasos, clima desfavorável… Mas Fogg levanta a voz e diz ser capaz dessa façanha. Uma aposta é lançada e Fogg, resoluto, vai para casa, arruma a mala, pede para Fura-Vidas fazer o mesmo, e lança-se nessa empreitada.

2. Aquele mundo de Vasabarros, José J. Veiga

Assim como o anterior, não havia lido nada do autor. Já tinha ouvido falar nele nos círculos sobre literatura fantástica. O romance conta a história de um reino, o Vasabarro. O rei é um déspota, chamado Simpatia, o Mijão. Só que ele não manda em nada, e sim os seus Ministros, os senescas. Há uma coisa em que o Simpatia é permitido mandar: nos pobres. Este é o seu passatempo, fazer da vida dos pobres um inferno. A rainha se chama Simpateca, uma mulher horrorosa e desconta todo sua frustração nos filhos: Andreu e Mognólia. A princesa será a única coisa boa da família. Ela é ingênua e boa, e percebe o quanto seu pai é ruim ao fazer amizade com Genísio, um rapaz pobre que a mostrará a outra faceta do reino.

O livro é cheio de nomes criativos, como: a cerimônia do Enxoto das Aranhas, os conspiradores do Quilombo do Calabouço, castigos na barrica-com-araponga…

É nítida a intenção crítica do autor ao relatar esse reino em que o rei não manda e os pobres que é que se lascam.

Contudo, apesar de toda essa criatividade do José J. Veiga eu não gostei da leitura. Foi truncada e eu não consegui manter um ritmo… Mas terminei. Aos trancos e barrancos terminei.

3. Clarissa, do Érico Veríssimo

Fofo. Primeiro adjetivo que posso dar para esse romance. Clarissa foi o primeiro livro do Érico e se analisarmos nas entrelinhas, é um tanto que polêmico.

Clarissa é uma menina de 13 anos, ingênua e sonhadora. Mora na pensão da tia e lá todos a querem bem. Na pensão moram personagens cômicos como o Tio Castro que desempregado há 6 meses vive dizendo que quando o Ministro tal tomar posse logo arrumará algum emprego para ele, o judeu  comunista Levinsky que discute o religião e política com Gamaliel, um protestante. Há o Major Pombo, o casal Barata e Ondina, Zezé que estuda medicina e não tem vocação… e Amaro, um bancário que pouco sorri, pouco come, pouco vive, e guarda uma ternura enorme por Clarissa. Tudo ganha um colorido a mais quando Clarissa se faz presente na vida de Amaro… Uma relação um tanto que polêmica, não muito bem definida por Érico… A qual a interpretação fica a cabo das entrelinhas.

4. Elenco de cronistas modernos

O livro trás várias crônicas de Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Fernando Sabino, Manuel Bandeira, Paulo Mendes Campos, Rachel de Queiroz e Rubem Braga. Destaco as crônicas que me encantaram acima das demais: Para Maria das Graças, do Paulo Mendes Campos (é quase epistolar, o autor dá de aniversário de 15 anos o exemplar Alice no País das Maravilhas e ele vai descrevendo as metáforas que há no livro com situações que um dia ela vai viver. Depois dessa até comecei a ver com outros olhos a obra prima de Carroll) e Macacos, de Clarice Lispector (sobre a aquisição de uma macaquinha comprada na rua e afeição que toda a família desenvolve ao longo do processo doentio que a macaca se encontra. O final é tão lindo!)

5. Sargento Getúlio, João Ubaldo Ribeiro

Esse livro foi segunda tentativa frustrada de ler algo do J.U.R depois da leitura A Casa dos Budas Ditosos. Tentei ler O Sorriso do Lagarta e não consegui. Tentei Sargento Getúlio e novamente não consegui. Não sei qual o problema. Não consigo detectar. A Casa dos Budas Ditosos li ainda adolescente e me marcou profundamente, tanto pelo teor do romance como pelo estilo.

Sargento Getúlio é narrado na primeira pessoa e em fluxo de consciência. Daquele tipo que você tem que ler o capítulo todo de uma vez para não perder o fio da meada. O problema é que os capítulos são muito extensos e o que se tornou enfadonho para mim.

Não sei se é cedo para eu me autodiagnosticar (rsrsrsrs) com bloqueada para ler qualquer coisa do J.U.R que não seja A Casa dos Budas Ditosos.

Finalizando, a Maratona realmente serviu para dar uma alavancada nas minhas leituras. Estou com muitos livros para serem lidos e quero terminá-los até o final do ano (tomara que consiga, para que possa comprar muchos libros no black friday).

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