Impressões literárias

Resenha Skoob Março- O Nome da Rosa, Umberto Eco

Durante toda minha vida acadêmica, e até no ensino médio, ouvi falar muito bem do livro do escritor italiano Umberto Eco, O Nome da Rosa. Pude assistir ao filme quando adolescente e fiquei fascinada pela história. Recentemente em uma viagem à Fortaleza, em uma visita a um sebo, encontrei o livro, bem velhinho, pela bagatela de dez reais. Não resisti e o levei.

O livro começa com dois textos introdutórios: “Um manuscrito, naturalmente”, na qual o autor relata como os escritos do abade Dom Adson de Melk chegaram as suas mãos (ficcional, viu?); e “Nota” descrevendo o modo como são divididos os títulos que é através das horas.

Os dois personagens de destaque são os religiosos franciscanos Frei Guilherme de Baskerville e o noviço Adson de Melk que é entregado aos cuidados do primeiro para aprofundar sua vida religiosa, pois Frei Guilherme é muito admirado por sua inteligência aguçada e por ter trabalhado para a Inquisição. Frei Guilherme é um homem altamente racional, e muito das pessoas que eram entregues em suas mãos para serem investigadas, eram muitas vezes inocentadas. Guilherme não era muito de acreditar sempre que Diabo estava em tudo, o que para Igreja era visto como perigoso. Como cientista, ele usava dos recursos que a ciência o disponibilizava e assim chegava nos reais fatos, desmistificando a ação demoníaca. Contudo, isso começou a incomodar outros inquisidores, pois mostrava uma Igreja fraca e piedosa demais dando brechas para os subversivos.

Em um mosteiro beneditino italiano, haverá um debate para decidir o destino da congregação dos franciscanos. Estes são motivo de muitas polêmicas, pois demonstrando sempre uma pobreza material acabou dando chances para surgirem adeptos fanáticos. Os seguidores de Frei Dulcino, os dulcinianos, matavam bispos e cardeis que luxavam, visto como alta heresia pela Igreja. O que fazia Papa Bento XII morrer de medo de ser assassinado. É para lá que Guilherme irá com seu pupilo afim de participar das discussões. Ao chegar, o Abade os relata que houve a morte de um frei e pede a ajuda de Guilherme para solucionar o crime, pois a circunstâncias da morte são sombrias. E assim, durante uma semana, irão morrendo religiosos e sempre há a coincidência entre os pecados capitais com a forma da morte.

Há a presença do riso, que é amplamente visto como algo negativo na abadia, pelo pressuposto que não há nas escrituras uma passagem que diga que Cristo riu. Ao ser confrontado por essa tese do frei beneditino Jorge, Guilherme o fala sobre um livro de Aristóteles que versa justamente sobre a questão do riso, mas que há tempos não se tem notícia da localização. Jorge o diz que tal livro pertence ao acervo da biblioteca, aliás, o mosteiro possui o maior acervo bibliográfico dentre todas as abadias, contudo, os livros que podem ser consultados são poucos, pois outros foram escritos pela indicação do demônio – dentre ele, o de Aristóteles.

O decorrer da história é a investigação. Fato atraente são as descrições históricas, as discussões filosóficas e teológicas. Para quem gosta de Linguística há também muitas conversas em volta do poder da palavra – Eco é linguística, semiótico e filósofo. Guilherme de Baskerville é uma referência ao primeiro livro de Arthur Conan Doyle e Adson de Melk é como se fosse Watson. O Frei Jorge, que é cego e vive na biblioteca, é um personagem inspirado em Jorge Luís Borges, da qual o título “O Nome da Rosa” é retirado de um trecho do seu livro.

É um livro que você ao terminar de ler, se vê recheado de informações interessantes, principalmente àqueles que se interessam pela Igreja Católica e medievalismo. O ponto que deixa a desejar são as frases em latim que são recorrentes ao longo do romance e que não são traduzidas. Fora isso, MARAVILHOSO!

P.S. Foi o primeiro livro de Umberto Eco no campo da literatura.

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